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DROGAS: Por que a maioria das pessoas que usam drogas não se viciam, mesmo correndo riscos?

O uso de drogas é comum, a toxicodependência (a dependência química em si, que deixa a pessoa viciada) é rara. Por quê?

Quem já viu uma propaganda antidroga tem a ideia de que essas substâncias são maléficas e que só de chegar perto delas sua vida irá para o ralo.

No entanto, cerca de um em cada três adultos vai usar uma droga ilegal pelo menos uma vez em sua vida, e quase nenhum deles irá jogar sua vida para o ralo por causa disso.

Na Inglaterra e no País de Gales, um pouco menos de 3 milhões de pessoas vão usar drogas apenas este ano. Em comparação, existem cerca de 300.000 viciados em heroína e/ou em crack, enquanto cerca de 30.000 foram tratados com sucesso para dependência de drogas na Inglaterra em 2011 e 2012, normalmente de maconha ou cocaína.

Maioria dos viciados em drogas não se viciam

Maioria dos viciados em drogas não se viciam

De acordo com uma pesquisa do Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas, em 2001, 19,4% dos entrevistados já haviam usado algum tipo de droga, sem considerar álcool e tabaco. Em 2005, este número subiu para 22,8%, o que corresponde a uma população estimada de aproximadamente 11.603.000 pessoas. Houve aumento no consumo de maconha, benzodiazepínicos, estimulantes, solventes e cocaína.

Ainda com dados de 2005, a prevalência em porcentagem e população estimada do uso de diferentes drogas psicotrópicas na vida é 22,8%, para qualquer droga. No entanto, só ocorreram 199 mortes relacionadas a qualquer substância de abuso (excluindo-se álcool e tabaco) no mesmo ano.

O vício é um quadro social

Há riscos imediatos e consequências a longo prazo para a saúde associados com o uso intenso ou prolongado de drogas, overdose e intoxicação. Por exemplo, a lesão dos pulmões do fumo de maconha ou lesões na bexiga do uso de cetamina.

No entanto, a maioria das pessoas passa incólume por um curto período de experimentação ou aprende a acomodar o uso da droga a seu estilo de vida, ajustando os padrões de uso a suas circunstâncias sociais e domésticas, como já fazem com o álcool.

O vício, ao contrário do uso, é fortemente concentrado em comunidades mais pobres. Dentro delas, os indivíduos que mais têm dificuldade são os que sucumbem. Em comparação com o resto da população, viciados em heroína e crack são: do sexo masculino, da classe trabalhadora, infratores, com baixos níveis de escolaridade, com pouco ou nenhum histórico de emprego, pouca estrutura familiar, vulnerabilidade à doença mental e mais de 40 anos com declínio de saúde física.

O consumo de maconha é menos concentrado entre os pobres, mas está intimamente associado com indicadores de estresse social e uma vulnerabilidade para o desenvolvimento de problemas de saúde mental.

Os fatores que influenciam

A maioria dos usuários de drogas são pessoas inteligentes, com recursos, boas habilidades, apoio de amigos e de uma família amorosa. Isso lhes permite gerir os riscos associados com o uso de drogas, evitando as mais perigosas e gerenciando sua frequência e escala de utilização para reduzir danos e maximizar o prazer.

Fundamentalmente, eles terão acesso ao apoio da família e dos amigos se começarem a desenvolver problemas, e uma perspectiva realista de um trabalho, uma casa e uma participação na sociedade para se concentrar e manter a sua motivação para abandonar a droga que está lhe prejudicando.

Em contrapartida, os indivíduos mais vulneráveis nas comunidades mais pobres carecem de recursos e têm redes de apoio que causam mais problemas em vez de oferecer soluções. Eles tendem a priorizar benefício imediato, em vez de consequências a longo prazo. Os desafios que enfrentam lhes dão pouco incentivo para evitar comportamentos de alto risco.

Juntos, esses fatores tornam mais provável que, em vez de calibrar cuidadosamente o seu uso de drogas para minimizar o risco, eles estarão preparados para usar as drogas mais perigosas nas formas mais perigosas. E, uma vez viciados, a motivação para se recuperar e sua probabilidade de sucesso nessa empreitada são enfraquecidos por uma ausência de apoio familiar, poucas perspectivas de emprego, habitação insegura e isolamento social.

Conclusão

Em resumo, o que determina ou não se o uso de drogas se transformará em vício, e o prognóstico de sucesso uma vez que se tornar, tem menos a ver com o poder da droga e mais a ver com as circunstâncias sociais, pessoais e econômicas do usuário.
De fato, não é impossível que um indivíduo bem sucedido e com uma boa estrutura familiar sucumba ao poder da droga. Mas isso é atípico.

Estes casos raros abafam a experiência da esmagadora maioria dos viciados com histórico de isolamento social, exclusão econômica, criminalidade e saúde mental frágil. Também torna as políticas antidrogas pouco eficazes, uma vez que se orientam por uma ideia ultrapassada. [IFLS, OBID]

Originalmente em: http://hypescience.com/por-que-tantas-pessoas-que-usam-drogas-nao-se-viciam/

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