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Pesquisadores do Sistema Imunológico levaram o Prêmio Nobel de Medicina

Três cientistas que desvendaram segredos do sistema imunológico, abrindo caminho para novas vacinas e tratamentos contra o câncer, foram anunciados nesta segunda-feira como vencedores do Prêmio Nobel de Medicina –ou Fisiologia– de 2011.

O norte-americano Bruce Beutler e o biólogo francês Jules Hoffman, que estudaram os primeiros estágios da reação imunológica a um ataque, dividiriam o prêmio de US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 2,8 milhões) com Ralph Steinman, canadense radicado nos EUA que descobriu as células dendríticas, cruciais para a compreensão dos estágios posteriores.

Trio de vencedores do Prêmio Nobel de Medicina de 2011 são anunciados em Estocolmo

Trio de vencedores do Prêmio Nobel de Medicina de 2011 são anunciados em Estocolmo

Mas, nesta mesma segunda-feira, a Universidade Rockefeller, onde Steinnam trabalhava, emitiu um comunicado sobre a morte do pesquisador, que ocorreu três dias antes dele ser anunciado como um dos vencedores do Nobel de Medicina.

A nota diz: “Steinman faleceu em 30 de setembro. Ele foi diagnosticado com câncer de pâncreas há quatro anos, e a vida dele se prolongou graças à aplicação de uma imunoterapia à base de células dendríticas que ele mesmo criou.”

A universidade acrescentou que estava orgulhosa pela Fundação Nobel ter reconhecido o trabalho do pesquisador e disse que a notícia era boa e ruim. Os parentes de Steinman notificaram a morte do pesquisador poucos dias antes, depois dele ter enfrentado uma longa batalha contra o câncer. “Nossos pensamentos estão com a mulher, os filhos e a família dele.”

O nome de Steinman como um dos vencedores da maior premiação em ciência foi anunciada hoje pela Fundação Nobel. Como o reconhecimento é atribuído a pessoas vivas, ainda não se sabe como ficará a lista.

RECONHECIMENTO

“Os laureados com o Nobel deste mês revolucionaram nossa compreensão do sistema imunológico, ao descobrir os princípios-chave da sua ativação”, disse em nota a comissão encarregada da premiação, ligada ao Instituto Karolinska, de Estocolmo.

Lars Klareskog, presidente da Fundação Nobel, disse à Reuters que as descobertas podem levar a novas vacinas contra micróbios. Segundo Klareskog, os estudos são muito necessários agora com o aumento da resistência contra antibióticos e podem levar ao desenvolvimento de uma técnica de combate ao câncer a partir do sistema imunológico.

Annika Scheynius, professora de pesquisas em alergias clínicas e integrante da comissão, acrescentou que as descobertas premiadas podem melhorar a saúde de pacientes com câncer, doenças inflamatórias, doenças autoimunes e asma.

Beutler, 53, trabalha no Instituto de Pesquisas Scripps, de La Jolla, na Califórnia. Hoffman, 70, nascido em Luxemburgo, realizou grande parte do seu trabalho em Estrasburgo.

Beutler e Hoffman descobriram na década de 1990 os receptores de proteínas que reconhecem bactérias e outros micro-organismos agressores, e que ativam a “imunidade inata”, a primeira linha de defesa do do sistema imunológico do organismo.

Steinman foi premiado por sua descoberta de duas décadas atrás sobre células dendríticas, que ajudam a regular a imunidade adaptativa, um estágio posterior da reação imunológica, em que os micro-organismos são eliminados do corpo.

Os trabalhos deles foram cruciais no desenvolvimento de novas vacinas contra doenças infecciosas, e de novas abordagens na luta contra o câncer — o que inclui as chamadas “vacinas terapêuticas”, que estimulam o sistema imunológico a destruir tumores.

O prêmio de Medicina ou Fisiologia costuma ser o primeiro Nobel anunciado a cada ano. O Nobel é entregue desde 1901 a personalidades de destaque nas áreas de ciências, literatura e paz, conforme estipulado no testamento do empresário Alfred Nobel, inventor da dinamite

O prêmio da categoria do ano passado foi dado ao britânico Robert Edwards por suas pesquisas sobre a fecundação in vitro, iniciadas nos anos 50, em parceria com Patrick Steptoe, morto em 1988. Ele desenvolveu a técnica em que óvulos são fertilizados fora do corpo humano e implantados no útero.

Edwards não compareu à entrega do prêmio por estar, à época, com problemas de saúde.

***Publicado Originalmente na FOLHA.COM 

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Anderson Guizolfe

Anderson Guizolfe é jornalista, fotógrafo profissional e se aventura no marketing e em novas tecnologias. Faz coberturas fotográficas dinâmicas em diversos eventos, e à 12 anos garimpa informações e notícias entre uma faculdade ou outra, e o serviço público.