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Lá em Curitiba – Vereador e sargento reformado de Rondônia seqüestram família para cobrar dívidas

Grupo foi preso na manhã desta quarta-feira; dentre os presos, está o vereador Valmiro Gomes da Silva (o primeiro, à esquerda)

Grupo foi preso na manhã desta quarta-feira; dentre os presos, está o vereador Valmiro Gomes da Silva (o primeiro, à esquerda)

Uma família que há três meses mora em Curitiba foi mantida refém por cerca de 28 horas por um grupo de seis homens. O sequestro terminou na manhã desta quarta-feira (28), quando policiais do 10º Distrito Policial (DP) prenderam os acusados. Segundo a polícia, eles são de Rondônia e mantiveram a família em cárcere privado para coagi-la a pagar dívidas. Entre os presos, estão um sargento reformado da Polícia Militar (PM) e um vereador. Segundo a polícia, o empresário Denejan Oliveira Bastos foi abordado pelo grupo por volta das 7h30 de terça-feira (27), quando abria seu pequeno mercado, no bairro Sítio Cercado. Ele foi levado em um Palio, acompanhado por quatro dos acusados. A mulher dele – que não teve o nome revelado – foi levada à casa da família, onde permaneceu vigiada por dois homens.

Bastos foi obrigado a passar o carro da família – um Honda Accord – ao nome de um dos acusados. Em seguida, o empresário foi levado pelo grupo a uma loja de veículos usados onde tinha crédito, comprou um Fiesta e repassou o veículo a outro suspeito. Enquanto isso, a mulher dele foi coagida a fazer um empréstimo bancário, por telefone, no valor de R$ 50 mil. Por causa da greve dos bancos, no entanto, eles não conseguiram retirar o dinheiro. De acordo com o advogado da família, Fábio Leal, Bastos estava disposto a transferir a casa – avaliada em R$ 400 mil – a um dos suspeitos.

Durante a noite, o empresário convenceu o grupo a deixar a família dormir sozinha dentro da casa. Segundo o advogado, os acusados mantiveram campana em frente a residência, para garantir que não haveria fuga. No início da manhã, no entanto, Bastos conseguiu avisar o advogado, que acionou a polícia. No momento da prisão, o empresário era mantido refém dentro do Palio, em uma rua do Sítio Cercado.

delegado Francisco Caricati disse que os seis foram presos em flagrante por formação de quadrilha e extorsão mediante sequestro, cuja pena varia de oito a 15 anos de prisão. Segundo o responsável pela prisão, os acusados faziam chantagem psicológica com a família o tempo todo. “Eles [os acusados] diziam que se a família não conseguisse levantar o dinheiro, eles violentariam a mulher e as filhas do empresário [de 9 e 14 anos], na frente dele”, disse o delegado.

Dívidas motivaram a “cobrança”

A família disse à polícia que morava em Alto Alegre dos Parecis, em Rondônia, onde tinha uma loja de automóveis usados. Eles teriam feito dívidas de cerca de R$ 80 mil e teriam passado a receber ameaças. Por isso, compraram uma casa em Curitiba, alugaram o mercado e se mudaram para a capital paranaense.

Segundo o delegado Francisco Caricati, grupo foi preso por extorsão mediante sequestro e formação de quadrilha (Felippe Aníbal Agência de Notícias Gazeta do Povo)

Segundo o delegado Francisco Caricati, grupo foi preso por extorsão mediante sequestro e formação de quadrilha (Felippe Aníbal Agência de Notícias Gazeta do Povo)

Os seis acusados afirmam que foram lesados por Bastos e que vieram apenas tentar fazer um acordo. Segundo eles, as dívidas do empresário se referem a motos, caminhonetes e terras compradas por ele e não quitadas ou pagas com cheques sem fundo. “O modo legal de se fazer uma cobrança é a via judicial, não contratando um ex-policial para coagir a pessoa e manter toda uma família em cárcere privado”, apontou o delegado.

Os presos foram identificados como o vereador Valmiro Gomes da Silva, de 41 anos, o sargento reformado José do Carmo Mota, de 48 anos, Fábio Fagundes, de 26 anos, Elvis da Silva, de 30 anos, Isaías Costa, de 37 anos, e Manoel Leite da Silva, de 51 anos. Segundo a polícia, o sargento Mota foi contratado pelo grupo para fazer a cobrança extorsiva. “Ele [Mota] é um cobrador profissional. Um jagunço, na gíria popular. Não é assim que as coisas funcionam”, disse Caricati.

Texto e Fotos: Felippe Aníbal  – Gazeta do Povo 

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Anderson Guizolfe
Anderson Guizolfe é jornalista, fotógrafo profissional e se aventura no marketing e em novas tecnologias. Faz coberturas fotográficas dinâmicas em diversos eventos, e à 12 anos garimpa informações e notícias entre uma faculdade ou outra, e o serviço público.