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Kadhafi tenta evitar que rebeldes dominem também o oeste da Líbia

Os rebeldes antigoverno mantinham nesta sexta-feira (25) o controle sobre o leste da Líbia, e o regime do ditador Muamar Kadhafi tentava evitar que o movimento controlasse também o oeste do país, e para a capital, Trípoli.

Ao mesmo tempo, dezenas de milhares de líbios e estrangeiros fugiam do país por terra, mar e ar.

O Conselho de Segurança da ONU se reunirá durante o dia em Nova York para discutir medidas de pressão sobre Kadhafi, que ignora os apelos para dar fim à brutal repressão dos protestos que, desde 15 de fevereiro, exigem sua renún

Bandeiras da Tunísia e Líbia pré-Kadhafi são seguradas em protestos

Bandeiras da Tunísia e Líbia pré-Kadhafi são seguradas em protestos

cia. A União Europeia também analisa sanções.

O ditador de 68 anos, no poder desde 1969, acusou na quinta-feira os manifestantes de terem vínculos com a rede terrorista da al-Qaeda e de agir sob o efeito de drogas.

Nas áreas liberadas do poder de Kadhafi, os opositores prometem avançar até Trípoli.

Segundo o jornal líbio “Quryna”, 23 pessoas morreram e pelo menos 44 ficaram feridas no ataque das forças de segurança contra a cidade de Zawiya, próxima a Trípoli, que tem a maior refinaria de petróleo do país.

Mas as forças leais ao líder não teriam conseguido entrar na cidade, disseram testemunhas nesta sexta-feira.

“Há controles do Exército e da polícia ao redor de Zawiya, mas nenhuma presença deles dentro da cidade. Somente vi alguns civis desarmados”, disse Said Mustafa, que cruzou a cidade nesta sexta-feira, a caminho da fronteira com a Tunísia.

Na quinta-feira, a oposição já controlava localidades importantes no leste, inclusive Benghazi, segunda maior cidade do país, e havia relatos de que Misrata e Zuara, no oeste, também se haviam rendido à onda de rebelião, que já ameaça a base de poder do ditador e que mergulhou o país no caos.

Muitos países, inclusive o Brasil, intensificaram as operações de retirada de seus cidadãos da Líbia, em um verdadeiro êxodo.

Desde segunda-feira, pelo menos 30 mil tunisianos e egípicios retornaram por via terrestre a seus países, informou na quinta-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

A Itália prepara uma “operação militar” para resgatar cidadãos italianos presos no sudeste da Líbia, onde começam a faltar alimentos, informou nesta sexta o ministro da Defesa, Ignazio La Russa.

A ONU teme um colapso na rede de distribuição de alimentos, uma vez que a Líbia importa praticamente toda a comida que consome.

Isolamento e deserções
O regime de Kadhafi enfrenta um isolamento cada vez maior, com críticas dos Estados Unidos, da União Europeia e dos vizinhos árabes, além de diplomatas, autoridades líbias que renunciaram aos cargos para aderir à revolução. Líderes tribais e religiosos também.

O procurador-geral da Líbia, Adbel Rahman al Abar, também renunciou a seu cargo em protesto contra o “massacre”, segundo comunicado que foi ao ar na rede privada Al Arabiya.

Kadhaf al-Dam, assessor e primo do ditador, renunciou na quinta-feira a todos os seus cargos, informou a agência de notícia egípcia MENA.

Segundo o gabinete de Kadhaf, o primo do ditador, que abandonou o país na semana passada, era responsável pelas relações Egito-Líbia, entre outras funções, e possui uma residência no Cairo.

Ao apresentar a demissão, ele pediu o “fim do banho de sangue e o retorno da razão para preservar a unidade e o futuro da Líbia”, segundo a agência MENA.

O Exército e a polícia da cidade de Adjabiya, no leste, se uniram à oposição, segundo o capitão Hafiz Abdul-Rahim, que falou na rede Al Jazeera. O coronel Shuaib Ibrahim al-Akouki confirmou a informação.

Fonte: G1.com.br – Com Agências Internacionais

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Anderson Guizolfe
Anderson Guizolfe é jornalista, fotógrafo profissional e se aventura no marketing e em novas tecnologias. Faz coberturas fotográficas dinâmicas em diversos eventos, e à 12 anos garimpa informações e notícias entre uma faculdade ou outra, e o serviço público.